Sobre ser feliz

Acredito que o conceito de felicidade, de “ser feliz” não esteja sendo compreendido como deveria em nossos dias.

Sinto que tudo está sendo anotado, todos os comportamentos humanos estão sendo analisados, esquadrinhados, julgados, a todo o instante, a cada ato ou omissão, enfim, tudo.

Penso que nem tanto ao céu, nem tanto a terra.

Estamos perdendo uma virtude preciosa para a civilização: a temperança.

Precisamos, mais que nunca, recuperar o equilíbrio, e se falo sobre esse tema hoje é por conta do artigo do jornalista Juremir Machado da Silva intitulado “Até quando vamos endeusar a revolução farroupilha?”, no qual ele ataca com toda a força de um historiador competente o mito da Revolução Farroupilha.

Particularmente deixei de celebrar o gauchismo há muitos anos, precisamente quando passei a tomar minhas próprias decisões e entrei para o rol dos homens adultos.

Minhas razões são talvez um pouco diferentes das que movem o Jurema, uma vez que após ter convivido décadas com pessoas de várias culturas e nacionalidades aprendi que patriotismo e nacionalismo constituem uma semente diabólica que faz germinar ódio, segregação, racismo, xenofobia e seus frutos malignos podem ser encontrados em hospitais, nas masmorras penitenciárias ou nos necrotérios.

Mas é preciso que se diga que o mito da Revolução Farroupilha como “grande façanha pela liberdade e pelo bem do povo” não é visto pela maioria dos gauchistas como uma guerra sangrenta, que ceifou milhares de vidas humanas, com execuções terríveis ( o soldado maragato Adão Latorre, com mais dois ajudantes, teria degolado 300 pessoas em um mesmo ato as margens do Rio Negro), com o episódio de horripilante traição aos lanceiros negros, para, ao final, a revolução ser vendida bem baratinha ao império (que aceitou as condições de Canabarro e depois de selado o acordo em Ponche Verde, descumpriu tudo, dando risada da cara dos “farrapos”).

Não meu amigo Juremir. Esse discernimento para um festejo regional é absolutamente descabido.

A maioria dos gauchistas veem o 20 de setembro como um dia de celebração de uma cultura bastante distinta das demais regiões do país.

Essas pessoas, felizes, alegres, desejam apenas confraternizar, festejar a vida, o amor, participar de eventos comemorativos da vida e não da morte.

Até quando? Abstraindo-me do teu texto arrogante no qual utilizas da interrogação como meio de expor premissas com as quais atacas os gauchistas, posso te responder com tranquilidade que essa celebração continuará por décadas após eu e tu termos batido “com a cola na cerca”.

Precisamos ser tolerantes com quem quer ser feliz à sua maneira, com responsabilidade e senso comum de justiça.

Se tu, como eu, não aprecias, então cale-se e deixe para depois essas críticas pesadas e inconsequentes.

Não estraga a festa daqueles que desejam, apenas, ser feliz.

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