Setembro Amarelo

De alguns poucos anos para cá, todos os meses passaram a ser temáticos, definidos por cores, e a representarem homenagem e luta em relação a virtudes, direitos ou contra algum mal que assola a humanidade.

Assim tivemos o fevereiro roxo (lupus/alzheimer/fibromialgia), o junho laranja (leucemia) e atualmente estamos no setembro amarelo (suicídio).

Algumas reflexões sobre essa prática que vem se tornando cada vez mais frequente em nossa cidade e em todo o mundo, trazendo dor e sofrimento a inúmeras famílias.

O suicídio é algo que aparenta o que não é.

Obviamente que excetuando os casos patológicos de depressão profunda, os demais seguem o que eu chamo de “síndrome do suicídio”.

Em algum momento da existência um dos fatores mais naturais da vida humana passa a ser um fardo terrível para alguns indivíduos: o tempo.

O tempo e a ideia de inexorabilidade da velhice, da solidão, do abandono, ou a eternidade da perda de um ente amado, ou a falta de perspectiva de dias mais felizes, tudo isso pode estar envolvido na mente daqueles que tem a coragem extrema de tirar a própria vida.

Não se trata, em meu ver, da dor de uma perda, de vergonha, remorso ou medo: trata-se exclusivamente do tempo.

É lamentável ver tantos jovens cometendo esse desatino, e é preciso falar a eles sobre o extremo valor da vida humana, abstraindo-se questões morais ou religiosas, mas sim de como é encantador a ideia de termos essa vida, única que seja, como uma dádiva da natureza a ser preservada.

Mas, acima de tudo, nossa juventude precisa receber noções de como encarar o tempo, de como ele é pequeno até o nosso último dia e de que não existe alegria ou sofrimento eternos.

E para você que está lendo essas linhas agora, entenda que você tem um valor imenso no tecido social, que a felicidade de muitas pessoas é ver você todos os dias, e enfim, entenda que existe uma dimensão para o sofrimento (tristeza, apatia), que ele é parte da vida, tem “prazo de validade”, e é apenas uma fração da nossa existência.

A vida, esta que estamos vivendo, é preciosa por ser única, e por isso precisamos obedecer a natureza até quando ela parar de pulsar naturalmente em nossos corações.

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